Estudo da Uece revela erosão de até 7 metros por ano no Rio Jaguaribe
A erosão das margens do Rio Jaguaribe atinge taxas de até 7 metros por ano em áreas com vegetação ciliar escassa, conforme apontado por um estudo da Universidade Estadual do Ceará (Uece). A pesquisa foi oficializada com a publicação do artigo na revista científica internacional Earth Surface Processes and Landforms, da editora Wiley, nesta quinta-feira, 15/10/2026. O levantamento é assinado pelos professores Andrea Almeida Cavalcante e Davi Rodrigues Rabelo, do curso de Geografia do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT), em parceria com Marcos de Brito Bezerra.
A investigação detalha como o ecossistema fluvial foi transformado após o início da operação do Açude Castanhão, em 2002. Para o cidadão que vive no entorno, essa mudança significa um desafio constante na preservação de suas terras e no uso dos recursos hídricos, já que a alteração no curso das águas influencia diretamente a ocupação do solo e a segurança das áreas ribeirinhas.
Ao analisar o período de 1958 a 2025, os cientistas observaram que a barragem reduziu a vazão média diária em cerca de 76% e o transporte de sedimentos em 41%. A diminuição drástica desses fluxos reduziu a capacidade do rio de redistribuir materiais, favorecendo a expansão de vegetação sobre bancos de areia e causando erosões severas em setores específicos. O estudo, embora definitivo em suas conclusões científicas, abre margem para novos diálogos sobre políticas públicas de conservação ambiental.
Segundo Davi Rodrigues Rabelo, a erosão não ocorre de forma uniforme. A complexidade do fenômeno depende de uma combinação de fatores, como a influência de rios tributários, o tipo de uso da terra e a presença de vegetação protetora. Com uma bacia que ocupa cerca de metade do território do Ceará, o Rio Jaguaribe é a principal fonte hídrica da região, tornando o entendimento científico essencial para o planejamento territorial e a sobrevivência das comunidades locais que dependem de sua estabilidade.
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