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Terça-feira, 13 de outubro de 2026

Character.AI busca recuperação judicial nos EUA e negocia ativos com a Walt Disney

A Character Technologies, responsável pela Character.AI, protocolou na segunda-feira, 12/10/2026, um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, visando reestruturar suas finanças e garantir a continuidade de suas operações. A decisão foi formalizada após a empresa enfrentar um cenário de dívidas estimadas entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, motivando a busca por um comprador estratégico para seus ativos tecnológicos.

No âmbito deste processo, a Walt Disney posicionou-se como a primeira ofertante ao propor a aquisição de parte da propriedade intelectual da startup por US$ 20 milhões, montante aproximado de R$ 99,7 milhões. A medida, que ainda aguarda aprovação da Justiça, estabelece a proposta da Walt Disney como valor de referência para um futuro leilão, permitindo que outros interessados apresentem ofertas superiores até a conclusão da negociação, prevista para ocorrer entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026.

Colin Adams, presidente-executivo da Character.AI, classificou a venda supervisionada como a alternativa que melhor protege os interesses envolvidos. A companhia ressaltou que, embora o processo de venda esteja em curso, a prioridade é manter a plataforma de chatbots operando com interrupções mínimas. Caso nenhum comprador viável surja para manter o serviço, a empresa não descarta a possibilidade de desativação permanente do sistema.

Desafios e histórico de segurança

A trajetória da Character.AI tem sido marcada por controvérsias significativas sobre o impacto de seus algoritmos em usuários vulneráveis. Em janeiro de 2026, a empresa e o Google firmaram um acordo judicial para encerrar uma disputa movida após o suicídio de um adolescente de 14 anos que interagiu com personagens da plataforma.

Recentemente, em setembro de 2026, o Ministério da Justiça do Brasil solicitou que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) investigasse os riscos de plataformas que simulam vínculos afetivos e românticos. A Character.AI figurou no grupo de 13 serviços sob análise, reforçando o debate global sobre a responsabilidade ética na interação entre humanos e inteligência artificial.

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