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Domingo, 11 de outubro de 2026

Riscos do BÓRAX no slime: especialistas alertam pais e responsáveis sobre perigos

A segurança de crianças durante brincadeiras com o popular slime tornou-se foco de um alerta emitido pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que recomenda evitar a confecção de receitas caseiras contendo compostos de boro. A decisão, consolidada neste domingo, 11/10/2026, ganha relevância diante da atualização das normas de controle de substâncias químicas pela Anvisa e visa proteger a saúde infantil de efeitos tóxicos decorrentes da manipulação inadequada de substâncias como o BÓRAX e o ácido bórico.

O alerta da Anvisa, por meio da RDC 1.030 de 2026, incluiu o ácido bórico e boratos em uma lista restritiva, alinhando o Brasil a padrões internacionais de segurança. A farmacêutica Karina Soeiro, mestre em Ciências Farmacêuticas, destaca que a medida considera evidências científicas sobre o impacto dessas substâncias na reprodução e no desenvolvimento humano. Embora o uso industrial de boratos seja regulado em diversos setores, a utilização doméstica como "ativador" em slimes cria um cenário de risco imprevisível.

A pediatra Quíssila Batista Neiva, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, explica que a absorção cutânea de derivados de boro, embora limitada em pele íntegra, torna-se preocupante em casos de exposição prolongada ou em crianças pequenas, que frequentemente levam as mãos à boca. "O boro é absorvido pelo trato gastrointestinal em proporção muito maior", alerta a especialista, sublinhando que o hábito "mão-boca" eleva drasticamente o risco de intoxicação.

Os sintomas de uma possível intoxicação incluem náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia e alterações respiratórias. Em cenários mais graves, a criança pode apresentar queda na pressão arterial e confusão mental. Além disso, receitas intituladas "sem BÓRAX" podem ser enganosas ao substituírem o composto por soluções para lentes de contato, que frequentemente contêm ácido bórico na formulação.

A indústria nacional também se movimenta para reforçar a segurança. Neire Silva, coordenadora do Comitê Brasileiro de Segurança de Brinquedos da Abrinq, confirmou que a revisão das normas NM 300 trará critérios mais rígidos para a detecção de boratos em brinquedos. Até que a norma entre em vigor, a recomendação médica é clara: opte por produtos industrializados e regularizados, que passam por testes de segurança, evitando a manipulação de pós e soluções caseiras que exponham a criança a concentrações desconhecidas e perigosas.

Em caso de contato acidental, a orientação é lavar a área com água corrente e sabonete neutro. Se houver ingestão, os pais devem entrar em contato imediato com o CIT (Centro de Informações Toxicológicas) local, portando as embalagens dos materiais utilizados.

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