Operação contra PCC no Chile revela novas rotas para o tráfico internacional
A facção Primeiro Comando da Capital (PCC) consolidou novas rotas para o tráfico transnacional de drogas a partir do Chile, conforme revelado pela Operação Sintonía 1533, deflagrada em 28 de setembro de 2026. A ação conjunta entre a Promotoria Regional Metropolitana Sul, a Polícia de Investigações (PDI) chilena e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) buscou desarticular uma célula criminosa que utiliza a posição geográfica do país para escoar entorpecentes diretamente para mercados internacionais, contornando a logística habitual via Brasil.
A operação marca um precedente histórico ao ser a primeira investida policial contra a estrutura da facção em território chileno. A investigação, que teve início em 2022, resultou no cumprimento de mandados de prisão contra criminosos brasileiros e chilenos, incluindo o brasileiro Lucas Leonardo de Oliveira Santos, conhecido como Negrinho. Apontado como líder da célula, ele coordenava as atividades ilícitas de dentro do centro penitenciário Santiago Uno.
O impacto desta expansão transcende as fronteiras sul-americanas. Conforme explicou o promotor Lincoln Gakyia, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a escolha do Chile baseia-se em interesses estratégicos de mercado. Por possuir grandes portos no Oceano Pacífico, o país serve como um corredor logístico mais eficiente para o envio de cocaína à Ásia e Oceania, além de funcionar como porta de entrada para insumos de drogas sintéticas provenientes do mercado asiático.
A articulação criminosa, que envolve contatos em mais de 20 países, reforça a capacidade da facção de estabelecer um "networking do crime". O avanço da organização no Chile, monitorado pelo Gaeco desde 2019, coloca em alerta as forças de segurança internacionais, uma vez que a facção se aproveita da ausência de grandes grupos locais para cooptar membros e recrutar menores de idade para a criminalidade.
Até o momento, a investigação identificou ao menos 32 membros batizados. A Operação Sintonía 1533, que é um desdobramento da Operação Sólis realizada pelo MPSP em 2021, segue com apurações em curso, não sendo descartados novos desdobramentos judiciais conforme as evidências de tráfico e lavagem de dinheiro são aprofundadas pelas autoridades do Chile e do Brasil.
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