A trajetória de Raimunda da Costa Santos, a Dona Mundinha, referência cultural em Fortaleza
A morte de Raimunda da Costa Santos, amplamente conhecida como Dona Mundinha, encerra um ciclo de sete décadas de dedicação à memória cultural e à fé popular no Bairro Mucuripe, em Fortaleza. O falecimento da cearense, aos 102 anos, ocorreu na terça-feira, 13/10/2026, com o anúncio oficial da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) reconhecendo a perda irreparável para o patrimônio imaterial da capital.
Durante mais de 70 anos, Dona Mundinha transformou a garagem de sua casa em um ponto de convergência comunitária. A tradicional lapinha de Natal, que chegava a medir mais de 10 metros, tornou-se um símbolo do bairro, atraindo visitantes que buscavam não apenas a estética da representação do nascimento de Jesus, mas a hospitalidade que a tornara uma referência local.
A estrutura, montada anualmente com a colaboração de seus filhos, era um exemplo de artesanato e engenharia popular. O presépio reunia desde o castelo de Herodes até elementos lúdicos como bonecos animados, chaminés com fumaça e cenários detalhados, que iam além da exposição estática. A tradição também englobava ações sociais, como a realização de festas natalinas para crianças, incluindo a montagem de presépios vivos que reforçavam os laços de solidariedade na região.
Em nota, a Secult e a Secultfor destacaram o papel fundamental de Dona Mundinha na transmissão de saberes para as novas gerações. A prefeitura ressaltou que sua atuação contribuiu diretamente para o fortalecimento da memória cultural de Fortaleza. Embora o encerramento de sua montagem anual deixe um vazio, o impacto de seu trabalho permanece preservado na história do Grande Mucuripe.
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