Taxas de administração elevadas ameaçam viabilidade das Micropensões no Brasil
A viabilidade das Micropensões para trabalhadores informais depende diretamente da redução das taxas de administração cobradas pelo mercado financeiro, conforme revelado em estudo da Tivio Capital divulgado em 11/10/2026. A análise destaca que o custo operacional é o fator determinante para que contribuições modestas, de R$ 50 ou R$ 200 mensais, consigam converter-se em uma renda complementar digna na aposentadoria. O levantamento, intitulado "A terceira margem da previdência: Micropensões, planos instituídos e a aritmética do ticket pequeno", aponta que o público-alvo inclui cerca de 38,5 milhões de brasileiros, como motoristas de aplicativos e entregadores. Sem taxas reduzidas, a estrutura de acumulação torna-se ineficiente para esse segmento. Frederico Duarte, autor do estudo e relações com investidores da Tivio Capital, reforça que a conta só fecha se a indústria priorizar a escala e a eficiência. "Para que esses números sejam possíveis na aposentadoria é necessário ter uma taxa de administração baixa. Se isso não acontecer, esse sistema não para em pé", adverte. Comparativamente, dados do RGPC do Ministério da Previdência Social, referentes ao primeiro trimestre de 2026, mostram um abismo entre o sistema fechado e o aberto. Enquanto a taxa média nas EFPC é de 0,28% ao ano, o segmento de EAPC chega a 1,2%. Esse impacto é sentido no bolso do trabalhador: para quem contribui com R$ 50 mensais, uma despesa administrativa elevada consome grande parte do aporte anual. Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, destaca que a democratização da previdência exige uma engenharia financeira diferente. "Se queremos incluir trabalhadores que podem começar contribuindo com R$ 50 por mês, precisamos de estruturas muito eficientes, porque cada real economizado em custos é um real que permanece trabalhando para formar a reserva", explica. Por outro lado, o setor de previdência aberta busca viabilizar o acesso através do ganho de produtividade. Sandro Bonfim, da Fenaprevi, pontua que a eliminação de taxas de carregamento e a ampliação do mercado são passos fundamentais. "É o movimento natural de um mercado que ganha escala e permite preços mais competitivos", afirma. A complexidade do cenário é agravada pela ineficácia dos incentivos atuais. A dedução de IR, central em modelos PGBL, é irrelevante para trabalhadores abaixo da faixa de isenção, tornando a taxa de administração o único diferencial real de rentabilidade para esse público. O desafio para os próximos anos, conforme aponta o estudo, é criar incentivos de adesão e escala que utilizem a robusta infraestrutura de pagamentos já existente no País para garantir a segurança financeira no longo prazo.
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