Celso Amorim critica Escudo das Américas de Donald Trump contra Brasil
O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, manifestou profunda preocupação com o projeto denominado "Escudo das Américas", iniciativa impulsionada pelo governo de Donald Trump. A declaração, proferida nesta sábado, 10/10/2026, aponta que a medida busca estabelecer um "cerco" e promover uma "dominação absoluta" sobre o território brasileiro, utilizando o combate ao crime organizado como justificativa para intervenções externas.
A coalizão agrega líderes latino-americanos alinhados às diretrizes da Casa Branca, incluindo Javier Milei (Argentina), Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Nayib Bukele (El Salvador). Em um movimento estratégico, o grupo formalizou a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como "ameaças compartilhadas", sujeitando-as a sanções internacionais.
Em entrevista ao canal Tutaméia, no YouTube, Celso Amorim refutou os fundamentos do acordo. "Essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional. Na realidade, é um esquema de dominação absoluta", afirmou o diplomata.
Integrantes do Palácio do Planalto avaliam a medida como uma ameaça à soberania nacional, temendo que ela funcione como uma "porta de entrada" para ações militares diretas dos Estados Unidos na região, um receio fundamentado por precedentes na Colômbia e na Venezuela. Enquanto alguns países aderiram ao pacto por alinhamento ideológico, nações como Equador, Paraguai e Panamá teriam sinalizado adesão motivadas por necessidades financeiras e pela busca de salvaguardas militares.
Além da pressão militar, Celso Amorim vinculou os recentes tarifaços impostos pelos Estados Unidos a uma estratégia de intimidação política contra o governo brasileiro. Segundo o assessor, medidas tributárias sobre exportações nacionais — justificadas por Washington sob alegações de práticas desleais no uso do PIX e questões ambientais — carecem de suporte técnico. "O tarifaço foi uma medida de intimidação. Eles querem alguém que se acomode e faça o que eles querem", concluiu.
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