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Domingo, 18 de outubro de 2026

Semace embarga construção de muro que bloqueava acesso à Lagoa do Cauípe

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) decidiu embargar, no dia 1º de outubro de 2026, a construção de um muro que bloqueava o acesso à Lagoa do Cauípe, em Caucaia, após denúncias de moradores sobre a privatização de um patrimônio natural. A intervenção, realizada pelo grupo Vila Galé, foi autuada por estar em área protegida e sem a devida autorização, medida que impacta diretamente a sobrevivência de bugueiros e trabalhadores que dependem do fluxo turístico da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O embargo da obra, confirmado em 1º de outubro de 2026, ocorre em um momento em que a comunidade local, marcada pela força do trabalho familiar, clama pela preservação da liberdade de circulação. Para profissionais como a bugueira Neidinha Sousa, de 55 anos, a barreira física representa mais do que concreto: é a ameaça ao sustento de cerca de 180 famílias. “A lagoa faz parte da nossa vida. O rico tem o poder do dinheiro, mas o pobre tem o poder da união”, desabafa a trabalhadora sobre a tentativa de cercar o espaço natural. A fiscalização da Semace identificou que o alicerce avançava sobre uma Área de Preservação Permanente (APP) e o interior da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe. Além da paralisação imediata, o órgão aplicou uma multa de R$ 40 mil. Por se tratar de um auto de infração ambiental, a decisão está sujeita a recurso administrativo por parte do empreendedor, que alega possuir projetos aprovados e planeja readequar a localização da estrutura para respeitar as margens do rio. Enquanto a disputa jurídica segue, a comunidade mantém o estado de alerta. No dia 5 de outubro de 2026, um protesto organizado por bugueiros, instrutores de kitesurf e moradores reforçou a resistência popular contra a restrição de acesso ao paraíso cearense. O Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (IMAC) reiterou que a licença concedida ao hotel-clube não autoriza qualquer tipo de bloqueio que impeça o livre trânsito de banhistas e prestadores de serviço na região.
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