Fim da jornada 6x1 pode reduzir lucro de empresas do agro em até 15%, aponta BTG
Uma possível mudança na legislação trabalhista brasileira, que visa o fim da escala 6x1, poderá pressionar severamente as margens de lucro de empresas do setor de alimentos e agronegócio, de acordo com análise técnica publicada nesta sexta-feira, 16/10/2026. A projeção, elaborada por especialistas do BTG Pactual, aponta que a necessidade de recomposição das horas de trabalho elevará as despesas operacionais de frigoríficos e usinas de açúcar e etanol, comprometendo parte dos resultados financeiros projetados para 2027.
O relatório, denominado The Price of a Shorter Week, avalia o impacto financeiro da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Para as companhias, o desafio central reside no aumento da folha de pagamento necessário para manter o nível atual de produção, especialmente em setores onde a continuidade operacional é vital. Para a M. Dias Branco, o impacto estimado sobre o lucro líquido pode chegar a 15%, um reflexo direto da elevada carga de mão de obra direta sobre a receita da empresa.
No segmento de proteínas, os efeitos são bilionários. A MBRF deve enfrentar uma despesa adicional de R$ 824 milhões anuais, enquanto na JBS o custo pode atingir a marca de R$ 1 bilhão. Embora o montante seja expressivo, analistas ponderam que a diversificação internacional da JBS confere maior resiliência à companhia frente à medida, que ainda tramita no campo das discussões legislativas.
O setor sucroenergético aparece como um dos mais vulneráveis, devido ao fato de sua folha de pagamento representar entre 12% e 15% da receita. Empresas como São Martinho, Jalles Machado e Adecoagro enfrentarão dificuldades de repasse de custos, visto que os preços das commodities são definidos pelo mercado externo, limitando a capacidade de transferir a pressão salarial para o consumidor final.
Por outro lado, produtores de grãos, como SLC Agrícola e BrasilAgro, apresentam exposição reduzida, uma vez que sua dependência de mão de obra operacional contínua é menor na comparação industrial. A Ambev também se encontra em uma posição confortável, com capacidade de absorver o aumento de custos por meio de ajustes marginais em sua estratégia de preços.
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