Influenciadores do Ceará mantêm publicidade de bets mesmo após proibição federal
Influenciadores digitais do Ceará persistem na divulgação de plataformas de apostas e cassinos virtuais, ignorando as restrições impostas pelo Governo Federal. Um levantamento realizado nesta sábado, 17/10/2026, identificou que ao menos 40 perfis utilizam o Instagram para disseminar links de acesso a esses jogos, desafiando a legislação que visa conter o avanço do vício em apostas no Brasil.
A proibição, estabelecida em 25 de setembro de 2026 pela Medida Provisória (MP) nº 1.394, veda a oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa. A determinação alcança expressamente os jogos on-line, como o popular Jogo do Tigrinho, e cassinos virtuais, com vigência estrita desde 6 de outubro de 2026.
Entre os perfis monitorados, destacam-se nomes de relevância nacional com milhões de seguidores, como Nayara Souza, Italo Wendel, conhecido como Belo Belo, e Jéssica Santos, a Jessica Macaxeira. A manutenção desse conteúdo fere o Código de Defesa do Consumidor, configurando publicidade abusiva e sujeitando os envolvidos a sanções administrativas, como multas pesadas e a possível suspensão de perfis.
A advogada Raquel Andrade alerta que a continuidade da prática, mesmo após a MP, revela uma desconexão preocupante entre o lucro individual e o impacto social. “Um influenciador que não se sensibiliza com notícias de suicídio de jovens e o desvio de recursos destinados ao sustento familiar, priorizando ganhos sobre a tragédia alheia, demonstra uma postura ética grave”, avalia a especialista.
Sobre a permanência das divulgações, Jéssica Santos declarou que optou por honrar contratos vigentes antes do encerramento definitivo da parceria. Em nota, a influenciadora pontuou: “Reconheço o quanto os jogos de apostas têm feito mal à vida de tantas pessoas e famílias. Decidi que irei cumprir apenas até o fim do meu contrato”.
O impacto à saúde mental é o ponto mais crítico do cenário, segundo o psicólogo Magnum Freire. O especialista explica que a promoção por figuras públicas ativa a chamada “aprendizagem vicária”, onde o seguidor, atraído por um estilo de vida ostentado, acredita erroneamente na facilidade do lucro. “O isolamento do jogador é agravado pela falta de canais de apoio em sites ilegais, o que retarda a busca por tratamento e aprofunda a ruína financeira e emocional das vítimas”, conclui.
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