Estudo global revela que 1 em cada 8 casos de câncer é evitável via controle de infecções
Uma nova análise publicada na revista The Lancet Oncology aponta que cerca de 1 em cada 8 casos de câncer diagnosticados globalmente está diretamente ligado a infecções. O levantamento, detalhado nesta segunda-feira, 05/10/2026, destaca que o fardo da doença poderia ser drasticamente reduzido caso políticas públicas focadas em prevenção, vacinação e triagem fossem implementadas de forma equitativa.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, estima que 2,3 milhões de novos casos de câncer em 2024 foram atribuídos a agentes infecciosos. A descoberta reforça que o acesso a tratamentos simples e medidas profiláticas é o caminho mais humano e eficaz para poupar milhões de famílias do impacto físico e emocional do diagnóstico oncológico.
O papel dos principais agentes infecciosos
A investigação identificou que o Helicobacter pylori, associado a tumores gástricos, e o HPV, principal vetor do câncer de colo do útero, foram responsáveis por mais de 1,5 milhão de casos. Outros vírus, como o HBV (Hepatite B), o EBV (vírus Epstein-Barr) e o VHC (Hepatite C), também figuram entre os principais causadores de cânceres de fígado e de cabeça e pescoço.
Gary Clifford, epidemiologista da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, enfatiza que a prevenção não é apenas uma escolha técnica, mas um imperativo social. "Podemos intervir antes que a doença se instale. A prevenção funciona, mas precisamos de vontade política e financiamento para transformar essa conscientização em realidade", afirmou.
Desigualdades globais e disparidades
Os dados revelam uma profunda injustiça social: países de baixa e média renda concentram 77% dos casos de câncer relacionados a infecções. O cenário é agravado pela falta de acesso a vacinas e sistemas de triagem robustos. Mesmo em nações como os Estados Unidos, populações vulneráveis enfrentam taxas maiores de infecções não tratadas, resultando em disparidades evitáveis na incidência da doença, segundo Veronika Fedirko, do Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas em Houston.
Especialistas ressaltam que um diagnóstico positivo para esses vírus não é uma sentença de câncer. A Dra. Lee, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, compara a vacinação contra o HPV e hepatites à proteção contra a gripe, sublinhando que a educação em saúde é a ferramenta mais potente que temos para reduzir a mortalidade a longo prazo.
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