Cientistas descobrem que mosquito Aedes albopictus pode atingir andares altos em prédios
O mosquito Aedes albopictus, conhecido por ser um primo biológico do transmissor da dengue, demonstrou capacidade de alcançar andares elevados de edificações urbanas. A conclusão foi confirmada por um estudo científico que detectou a presença de ovos do inseto a mais de 10 metros de altura, alterando a percepção de segurança para quem vive em prédios, nesta sexta-feira, 09/10/2026.
A pesquisa, publicada na revista EntomoBrasilis, foi realizada por uma coalizão entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), a Federal do Maranhão (UFMA), a Federal do Paraná (UFPR) e a Estadual de Londrina (UEL). O levantamento teve como objetivo avaliar o comportamento de oviposição da espécie em ambientes verticais.
Durante 10 semanas de experimentos em Manaus, pesquisadores instalaram armadilhas em uma torre de seis andares inserida em área urbana. Foram coletados mais de 35 mil ovos. Embora a maior concentração tenha ocorrido próximo ao solo, a identificação de focos a 10,8 metros de altura comprova que o Aedes albopictus — vetor capaz de transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela — transita livremente por diferentes níveis de altura.
Adriano Nobre Arcos, pesquisador do Inpa e autor do estudo, ressalta que essa capacidade de colonização coloca moradores de apartamentos em risco direto. A presença de recipientes com água, fontes de sangue humano ou animal e locais para descanso nas varandas e janelas favorece a instalação dos mosquitos em níveis elevados, especialmente quando o solo oferece menos opções de criadouros.
Diante dos resultados, os cientistas alertam para a necessidade de atualizar as estratégias de saúde pública. Atualmente, as medidas de controle focam predominantemente em quintais e térreos. A recomendação da equipe técnica é que os agentes de vigilância epidemiológica integrem a vistoria de andares superiores e áreas comuns de edifícios às rotinas de combate aos vetores.
O próximo estágio da investigação científica buscará entender os mecanismos de deslocamento dos mosquitos em grandes alturas, além de monitorar como as mudanças climáticas impactam o comportamento e a adaptação desse vetor em longo prazo.
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