Anvisa autoriza testes em humanos para Vivaxin, vacina brasileira contra a malária
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos para a Vivaxin, um imunizante desenvolvido no Brasil para combater a malária causada pelo Plasmodium vivax. A decisão, tomada na quarta-feira, 07/10/2026, marca um passo decisivo para o enfrentamento de uma doença que afeta milhões de pessoas nas Américas e na Ásia, representando um marco na soberania tecnológica e no cuidado com a saúde pública.
O projeto é fruto de uma colaboração entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório farmacêutico Cristália. A necessidade da vacina é urgente, uma vez que, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomende imunizantes contra a malária, eles focam exclusivamente na espécie Plasmodium falciparum, predominante na África.
Segurança e metodologia dos testes
Nesta primeira fase de avaliação clínica, autorizada pela Anvisa, a pesquisa contará com 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção. Os estudos ocorrerão no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Os participantes serão divididos em grupos para receber doses variadas da Vivaxin ou placebo, visando analisar o comportamento do sistema imunológico.
O protocolo estabelece três aplicações com intervalos de 28 dias, seguidas por um acompanhamento rigoroso de um ano. A equipe de pesquisadores focará na segurança, observando possíveis reações adversas, e na capacidade do organismo de desenvolver uma resposta de defesa. É fundamental destacar que, no momento, trata-se de um estudo de fase 1: a comprovação de eficácia definitiva dependerá de etapas futuras e grupos maiores.
O desafio contra o Plasmodium vivax
A malária, transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles, é um desafio persistente no Brasil. Enquanto o Plasmodium falciparum é responsável pela letalidade global, o Plasmodium vivax é o causador da maioria dos casos em território brasileiro. Em 2024, ele foi responsável por 63,1% dos registros de malária nas Américas.
A autorização de 07/10/2026 não significa a aprovação comercial imediata. O desenvolvimento de uma vacina é um processo complexo que pode levar anos, exigindo que cada etapa comprove sua segurança antes de prosseguir. Para os brasileiros que convivem com a ameaça constante do parasita, a iniciativa representa uma esperança concreta de prevenção futura e alívio para o sistema de saúde.
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