Antidepressivos ISRS podem reduzir mortalidade em pacientes com câncer
Pacientes diagnosticados com câncer apresentaram taxas de mortalidade significativamente menores ao utilizar antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) durante a imunoterapia, conforme apontado por uma análise científica detalhada. A descoberta, publicada na revista PLOS Medicine em 29 de setembro de 2026, foi divulgada formalmente nesta quarta-feira, 07/10/2026, e oferece uma nova perspectiva sobre o manejo da saúde mental no enfrentamento de tumores sólidos.
O estudo foi coordenado por pesquisadores do Hospital Geral Tri-Service e da Universidade Médica de Defesa Nacional, em Taiwan, a partir de registros da plataforma TriNetX com pacientes tratados entre 2015 e 2025. Ao comparar 1.567 usuários de ISRS com outros 1.567 pacientes que utilizavam benzodiazepínicos, os dados revelaram que, após dois anos de acompanhamento, a mortalidade foi de 23,5% no primeiro grupo contra 34,4% no segundo.
Para pacientes que enfrentam o desgaste emocional imposto pelo diagnóstico de câncer, a notícia traz um alento importante. A humanização do tratamento oncológico vai além da cura física; o bem-estar mental é parte integrante da dignidade e da capacidade de resposta do organismo frente à doença. A escolha por tratamentos que não apenas aliviem a ansiedade, mas que potencialmente favoreçam a eficácia da imunoterapia, pode ser um divisor de águas na qualidade de vida e na sobrevida desses indivíduos.
O oncologista Cho-Hao Lee, um dos autores do trabalho, sugere que os ISRS podem atuar em sinergia com os inibidores de checkpoint, ajudando a liberar o sistema imunológico para um ataque mais eficiente às células tumorais. "Uma forma simples de explicar é que os ISRS podem liberar um segundo freio na imunidade, que fica bem próximo daquele liberado pelos inibidores de checkpoint", explicou Lee.
Embora os resultados sejam promissores, a pesquisa tem caráter observacional, o que significa que novos estudos são necessários para estabelecer uma relação definitiva de causalidade. A ciência, portanto, segue atenta aos efeitos desses medicamentos na jornada de recuperação de pacientes oncológicos, reforçando a importância de um acompanhamento multidisciplinar rigoroso.
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