Herança e poder: ao menos 33 dos 46 deputados eleitos na Alece possuem laços familiares com políticos
A nova composição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), decidida pelos eleitores no último domingo, 04/10/2026, revela a força das linhagens políticas no estado. Entre os 46 parlamentares que assumirão seus assentos a partir de 01/02/2027, pelo menos 33 possuem laços de parentesco — como pais, filhos, irmãos ou cônjuges — com pessoas que já exerceram ou ainda exercem cargos eletivos.
O levantamento, que contempla informações públicas confirmadas, destaca como o capital político é frequentemente compartilhado entre membros da mesma família. Esse fenômeno, longe de ser apenas uma curiosidade eleitoral, reflete uma estrutura consolidada de influência onde o sobrenome e o histórico familiar desempenham papéis centrais na manutenção de cadeiras no Poder Legislativo.
Entre os exemplos citados estão casais que atuam simultaneamente na política, como a deputada estadual Bella Carmelo (PL) e seu esposo, o deputado federal eleito Carmello Neto (PL), além de casos de linhagens extensas, como a do deputado estadual Zezinho Albuquerque (PP), que acumula nove mandatos e mantém familiares em cargos de prefeitos e mandatos federais na região de Massapê.
O historiador Raimundo Alves de Araújo explica que essa continuidade ocorre, em muitos casos, através da formação de "consórcios" de municípios. Nessas estruturas, alianças entre famílias de cidades vizinhas permitem que grupos políticos alcancem a votação necessária para chegar à Assembleia. Segundo o especialista, o que se observa é uma profissionalização da política como um negócio familiar, adaptável a diferentes conjunturas, onde a influência se expande para além das fronteiras municipais.
Para a sociedade, o impacto reflete uma renovação parlamentar marcada por nomes que, embora eleitos democraticamente, carregam o legado de gestões anteriores. Enquanto 13 deputados eleitos não possuem parentes com cargos eletivos registrados, a maioria da Casa continuará sendo composta por representantes que, de alguma forma, dão sequência a projetos políticos familiares iniciados décadas atrás.
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