Esquema que desviou milhões da saúde no Ceará usava mais de 80 empresas fantasmas e bunker de dinheiro vivo, aponta PF
Uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas da saúde foi desmantelada após a Justiça Federal autorizar o cumprimento de mandados em Fortaleza/CE, Caucaia/CE, Eusébio/CE, Tauá/CE e Campina Grande/PB. A decisão judicial visa estancar um esquema que impacta diretamente a qualidade do atendimento oferecido à população, ao drenar recursos essenciais para hospitais e unidades de pronto atendimento.
A investigação, deflagrada pela Polícia Federal na Operação Coaptação, ganhou detalhes reveladores neste sábado, 10/10/2026. A PF identificou que a Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph) operava um verdadeiro 'bunker' para gerir dinheiro vivo dentro de sua sede, utilizando mais de 80 empresas fictícias para conferir aparência legal a contratos fraudulentos com municípios.
Apenas quatro dessas empresas de fachada — Blue Stel Reformas e Manutenção Ltda., New Consultoria e Assessoria Ltda., L&R Assessoria e Consultoria Ltda. e Serf Serviços de Locação de Veículos em Geral Ltda. — foram responsáveis pelo desvio de cerca de R$ 20 milhões em um intervalo de apenas 100 dias. A magnitude da fraude, que soma indícios de centenas de milhões drenados dos cofres da saúde, compromete a dignidade dos cidadãos que dependem do sistema público.
Cinco pessoas vinculadas à Coaph foram presas na quinta-feira, 8/10/2026. O esquema utilizava CNPJs de 'laranjas' — incluindo indivíduos detidos no sistema prisional — para emitir notas fiscais por serviços jamais executados. O contador César Agamenon Carvalho Barbosa e o colaborador Fernando Antônio Rosa Cavalcante são apontados como figuras-chave na logística de saque e distribuição de propinas.
A Coaph, por meio de nota, manifestou que a operação envolve outras empresas do setor e defendeu a necessidade de preservar uma instituição que presta serviços essenciais. A decisão judicial, por sua vez, ainda permite que as partes recorram conforme o devido processo legal, enquanto a Polícia Federal aprofunda a análise da contabilidade paralela apreendida.
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