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Segunda-feira, 02 de novembro de 2026

Cientistas identificam resquícios de sangue em fóssil do Aratasaurus na Chapada do Araripe

Uma equipe internacional de cientistas identificou células sanguíneas preservadas em um fóssil de Aratasaurus, dinossauro que habitou a região da Chapada do Araripe há aproximadamente 115 milhões de anos. O achado, divulgado nesta segunda-feira, 02 de novembro de 2026, representa um marco para a paleontologia ao desafiar suposições sobre a durabilidade de moléculas biológicas em escalas de tempo geológicas.

O fóssil foi coletado na Formação Romualdo, sítio arqueológico localizado na tríplice divisa entre Pernambuco, Ceará e Piauí. A análise confirmou a presença de heme B, molécula essencial do sangue, nos canais vasculares do espécime, um dinossauro terópode caracterizado por ossos pneumáticos.

A descoberta, publicada na revista National Academy of Sciences, foi liderada pela pesquisadora Kliti Grice, da Universidade Curtin, com participação direta de cientistas brasileiros: Renan Bantim e Antônio Saraiva, da Universidade Regional do Cariri; e Juliana Sayão e Alexander Kellner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Museu Nacional.

O rigor do estudo incluiu técnicas de isolamento molecular e espectroscopia UV-Vis para garantir que o material analisado fosse endógeno, eliminando riscos de contaminações modernas ou artefatos minerais. A comparação técnica revelou que os glóbulos vermelhos do Aratasaurus são quase esféricos, diferenciando-se das células alongadas encontradas em aves modernas.

Segundo os autores, a diferença morfológica reflete processos evolutivos distintos. Enquanto aves atuais passaram por um longo período de miniaturização corporal para o voo — o que resultou em glóbulos menores para otimizar o transporte de oxigênio —, o Aratasaurus não compartilhou dessa mesma adaptação, mantendo dimensões celulares maiores.

Este estudo abre uma janela molecular inédita para a fisiologia de animais extintos, permitindo compreender melhor a biologia evolutiva da vida antiga no território brasileiro. Sob supervisão de Thiago Félix.

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