Mercado altera projeções de inflação e vê choques como estruturais
A percepção sobre a economia brasileira mudou drasticamente, com analistas reconhecendo que os atuais desafios de preço não são mais apenas episódios passageiros. A mudança de postura foi consolidada na divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, em 03/10/2026, que elevou as expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 4,99% ao final deste ano.
Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Markets, explica que o mercado deixou de considerar os choques como transitórios para enxergá-los como parte de uma nova estrutura econômica. Esse ajuste ocorre após o IPCA-15 superar as projeções, sinalizando que as pressões inflacionárias, especialmente em energia e semicondutores, tendem a persistir.
A preocupação com o aumento do custo de vida atinge diretamente a dignidade das famílias, que sentem a perda do poder de compra no supermercado e nas contas básicas. Embora a inflação de serviços apresente um recuo lento, a pressão nos alimentos e o contágio esperado para 2026 e 2027 exigem cautela dos consumidores no planejamento financeiro.
Apesar do cenário desafiador, a perspectiva é de que a política monetária continue seu curso. Carla Argenta estima que ainda existe espaço para um ajuste de 0,25 ponto na Selic, levando a taxa a 13,5% ao final de 2026. A economista reforça que o enfraquecimento da demanda e a moderação nos reajustes salariais são resultados esperados pelo Banco Central no combate à inflação.
O impacto na atividade econômica também é evidente, com o Boletim Focus projetando um crescimento de 1,86% para o PIB (Produto Interno Bruto). Segundo a especialista, essa desaceleração não indica uma recessão, mas sim uma adaptação da economia a um ciclo de crescimento mais modesto, condicionado pelo alto endividamento e condições climáticas adversas.
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