Endividamento das famílias recua no Brasil após alta consecutiva
O endividamento das famílias brasileiras apresentou queda pela primeira vez desde dezembro de 2025, conforme dados divulgados nesta quinta-feira, 08/10/2026. A parcela de famílias com dívidas a vencer recuou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A decisão de analisar o comportamento financeiro das famílias visa monitorar o fôlego do orçamento doméstico diante das pressões econômicas. O indicador é relevante pois reflete como os brasileiros estão equilibrando suas contas, o que impacta diretamente o consumo e a estabilidade das famílias no Brasil.
A economista Juliana Inhasz, professora do Insper, avalia que, embora o dado traga um alívio pontual, a melhora é tímida. A resiliência do mercado de trabalho e a adesão a programas de renegociação, como o Deserola Brasil 2, contribuíram para o recuo. No entanto, o orçamento doméstico permanece sob pressão, com as famílias destinando, em média, quase 30% da renda ao pagamento de obrigações.
Um ponto de atenção na pesquisa é o comportamento distinto por faixas de renda. Enquanto a inadimplência recuou entre as famílias de menor renda, houve um leve aumento entre aquelas que recebem acima de 10 salários mínimos. Juliana Inhasz explica que, para o estrato de maior renda, esse aumento pode refletir uma gestão estratégica dos recursos — parcelando compras para manter valores investidos em renda fixa — e não necessariamente um endividamento crítico.
Apesar da leve melhora, o período médio de atraso atingiu 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024. A especialista alerta que o uso do crédito exige cautela. Juliana Inhasz reforça que o cartão de crédito não deve ser tratado como uma extensão do salário. O parcelamento, segundo ela, deve ser reservado para bens duráveis, evitando o risco de comprometer a renda futura com consumos imediatos que já deixaram de existir no cotidiano da família.
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