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Quinta-feira, 08 de outubro de 2026

Unicef alerta para 30 milhões de crianças sob risco climático no Brasil

Mais de 30 milhões de crianças enfrentam a exposição direta a múltiplos riscos climáticos no Brasil, conforme revela uma análise inédita publicada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta quinta-feira, 08/10/2026. A gravidade do cenário é potencializada pelo avanço do fenômeno El Niño, que se consolida como um dos mais intensos registrados desde 1950 e impõe desafios severos à integridade dos jovens.

O levantamento, coordenado pelo centro do Unicef com sede em Bangcoc, na Tailândia, detalha como a combinação de seca severa, calor extremo, queimadas e inundações compromete direitos básicos. A resiliência da infância brasileira é testada diariamente em pilares fundamentais como o acesso à água potável, a segurança alimentar, a continuidade da escolaridade e a proteção física contra doenças decorrentes das variações térmicas.

Historicamente, o impacto do aquecimento das águas do Pacífico reverbera de forma distinta no território nacional, provocando estiagens severas na região Norte e um volume de chuvas acima da média no Sul. Dados levantados a partir de eventos extremos ocorridos anteriormente demonstram a fragilidade do sistema: no Rio Grande do Sul, as inundações interromperam o aprendizado de 741 mil estudantes, enquanto, na Amazônia, a seca privou 436 mil crianças de recursos essenciais como água e alimentos. Ao todo, 1,17 milhão de jovens tiveram o direito à educação cerceado em decorrência da crise climática.

Para Danilo Moura, especialista em clima e meio ambiente do Unicef no Brasil, o impacto vai além do fenômeno natural e atinge a vida cotidiana das famílias. "Uma seca pode significar falta de água segura, fumaça, dificuldade para chegar à escola ou ao posto de saúde. Uma enchente pode significar escola fechada, vacinação interrompida ou perda da renda da família", explica o especialista.

A fragilidade biológica das crianças, que ainda estão em pleno desenvolvimento, torna este grupo mais suscetível a doenças, desidratação e desnutrição. Diante da imprevisibilidade da atmosfera para os próximos meses, o Unicef defende que a estratégia mais eficaz é o investimento preventivo. Segundo Danilo Moura, antecipar o reforço dos serviços públicos é uma medida fundamental para evitar que emergências meteorológicas se transformem em tragédias irreversíveis para a infância brasileira.

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