Juros futuros recuam no Brasil sob influência de Treasuries e cenário eleitoral
A curva de juros futuros operou em trajetória de queda no dia 08/10/2026, com destaque para os vencimentos de longo prazo. O movimento reflete o comportamento dos rendimentos dos Treasuries no exterior, que perderam força ao longo do dia, e a repercussão da disputa presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No encerramento da sessão, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimento em janeiro de 2028 atingiu 12,54%, uma redução de 5 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Na ponta longa, o contrato para janeiro de 2035 recuou para 12,6%, registrando uma queda de 18 pontos-base frente aos 12,779% registrados na sessão prévia.
O cenário é influenciado pelo chamado 'trade eleitoral'. Investidores monitoram a pesquisa PoderData/Aya, que indica Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa do mercado financeiro é de que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro promova maior rigor no controle das contas públicas, embora propostas concretas ainda não tenham sido detalhadas pelo candidato.
O tema do ajuste fiscal ganhou relevância após reportagem da Folha de S. Paulo apontar estudos da equipe de Flávio sobre alterações nos reajustes da Previdência e gastos obrigatórios. Em Brasília, o senador negou tais planos e prometeu reajustes acima da inflação para o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Em contrapartida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou à CNN que as promessas de Flávio ignoram impactos negativos sobre o emprego e a atividade econômica.
Externamente, o alívio na pressão dos Treasuries de dez anos, que caíam 5 pontos-base para 5,229% no fim da tarde de 08/10/2026, ofereceu o fôlego necessário para que a curva brasileira operasse no campo negativo. A volatilidade permanece alta, com o mercado agora voltado à divulgação do próximo levantamento do Datafolha.
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