Especialistas defendem equilíbrio estratégico entre China e Estados Unidos para proteger o agronegócio
Líderes do agronegócio e especialistas em relações internacionais enfatizam a necessidade de manter uma postura equilibrada entre China e Estados Unidos para garantir a estabilidade do setor produtivo brasileiro. A discussão, realizada nesta quinta-feira, 08/10/2026, no Insper, em São Paulo, reforça que a continuidade dos investimentos estrangeiros em infraestrutura é vital para a competitividade das exportações nacionais.
Larissa Wachholz, que coordenou o Programa Ásia no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e atuou no Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, aponta que Pequim avalia com cautela o cenário político latino-americano. A preocupação central reside na possibilidade de um alinhamento brasileiro excessivo aos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, o que poderia gerar instabilidade jurídica e desencorajar novos aportes chineses.
A importância do capital chinês é evidente na modernização logística. Exemplos práticos incluem a participação da Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), e a expansão da TCP em Paranaguá (PR), controlada pela China Merchants Port. Essas obras, concluídas em 2024, aumentaram significativamente a capacidade de armazenamento refrigerado, essencial para o escoamento global de proteínas.
Durante o debate, Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), sublinhou que a segurança alimentar é um compromisso transnacional que transcende disputas eleitorais. "Frango não tem partido nem ideologia. O agronegócio trabalha para a segurança alimentar brasileira e de 170 países. Não há governo que possa atrapalhar um negócio que representa 35% do PIB brasileiro", afirmou.
Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, reforçou que o complexo cenário internacional exige pragmatismo. Segundo o especialista, o Brasil deve evitar o isolamento ou a escolha forçada entre potências, mantendo laços sólidos tanto com Washington quanto com Pequim para assegurar a continuidade das exportações agropecuárias, setor no qual a China figura como a principal compradora, seguida pela União Europeia e Estados Unidos.
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