Diamante Energia testa biocarvão de coco em usina termelétrica no Ceará
A Diamante Energia executou o primeiro teste industrial de co-combustão utilizando uma mistura de carvão mineral e biocarvão de cascas de coco na usina termelétrica de Pecém, no Ceará. Realizado em 14 de outubro de 2026, o ensaio representa um avanço significativo para a sustentabilidade do setor elétrico, buscando mitigar os impactos ambientais da geração térmica através do reaproveitamento de resíduos agrícolas abundantes na região.
No procedimento, foram processadas cerca de 150 toneladas de combustível na Unidade Geradora 1 (UG1), que possui capacidade de 360 MW. A proporção utilizada foi de 148,5 toneladas de carvão mineral para 1,5 tonelada de biocarvão, correspondendo a uma substituição de 1% da carga da caldeira. A tecnologia, consolidada em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O uso das cascas de coco, frequentemente descartadas como passivo ambiental no Ceará, ganha destaque pela eficiência energética do material. Análises laboratoriais preliminares apontam que o biocarvão possui poder calorífico superior ao carvão mineral, com um teor de enxofre mais de dez vezes menor. Este potencial de redução de poluentes, somado à viabilidade econômica, será validado após a análise detalhada dos dados coletados durante a operação industrial.
Mona Lisa Moura de Oliveira, coordenadora do projeto na Uece, destaca a importância da transição da escala laboratorial para a infraestrutura industrial. Segundo a docente, a fase atual é crucial para compreender o comportamento do biocarvão nos sistemas de moagem e combustão, permitindo ajustes que elevem a eficiência do processo. A iniciativa já resultou na estruturação de uma planta piloto e na publicação de estudos científicos em periódicos internacionais como a ACS Omega, da American Chemical Society.
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